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MIS exibe maior mostra sobre Janis Joplin já realizada no mundo

Mais de 300 itens inéditos da cantora podem ser vistos a partir de 17 de maio no MIS, em São Paulo.

17/04/2026 às 13:34
Por: Redação

Em agosto de 1969, Dorothy escreveu uma carta a um destinatário desconhecido relatando o quão incomum era ver a própria filha sendo chamada de “rainha” ou “deusa”. Ela ainda mencionou, ao final desse relato, seu descontentamento pelo fato de sua filha já não escrever mais cartas, limitando-se a contatos eventuais por telefone.

 

Naquele mês, a filha de Dorothy estava mergulhada em compromissos: apresentou-se no lendário festival de Woodstock, já reconhecida internacionalmente como referência do rock, o que continuava a ser motivo de surpresa para sua mãe.

 

Quase 57 anos após essa apresentação histórica, a trajetória de Janis Joplin passará a ser celebrada por meio de uma exposição inédita no Museu da Imagem e do Som (MIS), na cidade de São Paulo.

 

A partir desta sexta-feira, 17, o MIS recebe uma mostra composta por mais de 300 peças, entre figurinos, acessórios, manuscritos, os característicos óculos da cantora, uma estola de penas e outros itens originais, todos preservados pela família e nunca antes exibidos ao público.

 

Chris Flannery, responsável pela chegada do acervo ao MIS, explicou que o desenvolvimento desse projeto teve início ao conhecer o administrador dos bens de Janis Joplin. Três anos atrás, após a exposição de B.B. King realizada por Flannery no museu, o administrador encaminhou uma relação de objetos e uma coletânea de imagens do acervo da artista.

 

“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”


 

Entre os itens do acervo expostos, há vestimentas e desenhos. Segundo Flannery, ao analisar esses escritos e ilustrações, o público terá contato com aspectos pouco conhecidos da personalidade de Janis, revelando sua faceta artística além da música, uma vez que obras de sua autoria também estão presentes.

 

O valor do ingresso para visitar a mostra é 30 reais para meia-entrada e 60 reais para a inteira. Todas as terças-feiras, exceto em feriados, o acesso é livre de cobrança.

 

Ambientes que remetem à trajetória e sensações

 

O MIS realiza, com esta, sua terceira exposição dedicada a grandes vozes femininas do rock. Anteriormente, o museu homenageou as carreiras de Rita Lee e Tina Turner, reservando espaços para destacar suas contribuições.

 

De acordo com André Sturm, diretor-geral e curador da exposição, ao rememorar o contexto do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 — marcado pela contracultura, pela ascensão do rock e pela liberação sexual —, imediatamente associa-se esse período à música e à figura de Janis.

 

O primeiro andar do museu foi transformado para receber a mostra. Os visitantes encontrarão uma cenografia imersiva, repleta de elementos psicodélicos, projetada para proporcionar uma experiência sensorial. O percurso é composto por dez salas, cada uma inspirada por sentimentos ou palavras relacionados à personalidade e à trajetória da cantora.

 

“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”


 

Entre as salas, destaca-se a intitulada Amor Brasil, dedicada à breve passagem de Janis pelo país durante o carnaval do Rio de Janeiro em 1970. Este espaço reúne imagens, vídeos e um trecho de carta escrita por ela à mãe durante sua estadia no Brasil, evidenciando o quanto essa visita foi marcante para a artista.

 

Segundo o diretor do museu, esse material documenta a felicidade de Janis durante a viagem, incluindo registros fotográficos, audiovisuais e conteúdos escritos.

 

História e legado de Janis Joplin

 

Janis Joplin nasceu em 1943, em Port Arthur, no Texas, e tornou-se conhecida por sua voz inconfundível, de timbre rouco e potente. Na juventude, foi fortemente influenciada pelas vozes autênticas de Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que teve papel fundamental na decisão de ingressar na música.

 

No ensino médio, se dedicou à música folk com colegas e à pintura. Passou por faculdades em Beaumont e Austin, mas sua atenção voltou-se mais ao universo do blues e à poesia beat. Em 1963, abandonou a faculdade e seguiu para São Francisco, morando no bairro de Haight-Ashbury, região então caracterizada pelo consumo de drogas.

 

Durante esse período, aproximou-se do guitarrista Jorma Kaukonen, que posteriormente integraria o grupo Jefferson Airplane. Juntos, gravaram algumas músicas acompanhados pela esposa de Jorma, Margareta, que utilizava uma máquina de escrever como instrumento.

 

Janis retornou temporariamente ao Texas, matriculando-se em sociologia na Universidade Lamar, mas a vida californiana logo a atraiu novamente. Em 1966, iniciou oficialmente sua carreira musical, que se estendeu por cerca de quatro anos.

 

Seu início artístico coincidiu com o convite para integrar a banda Big Brother and the Holding Company, uma das mais prestigiadas da cena de rock psicodélico de São Francisco. Com o grupo, Janis gravou dois discos de destaque: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968).

 

Posteriormente, desligou-se da banda e lançou-se em carreira solo, gravando I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), este último publicado após sua morte.

 

Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, por overdose de heroína, apenas alguns dias após a morte de Jimi Hendrix, outro ícone da música internacional.

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