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Trabalhadores aguardam fim da escala 6x1 para ampliar descanso semanal

Propostas no Congresso buscam assegurar dois dias de folga semanal e reduzir a carga horária

01/05/2026 às 22:09
Por: Redação

Sonhos de passar mais tempo ao lado da família, cumprir tarefas domésticas, realizar passeios e até aproveitar pequenas viagens estão entre as principais expectativas de trabalhadores submetidos à rotina de seis dias laborais seguidos por apenas um de folga semanal, caso haja aprovação de uma nova regra que conceda mais um dia livre por semana.

 

No feriado do Dia do Trabalho, o debate sobre a extinção da escala 6x1 tornou-se destaque nos protestos realizados em todo o país, com diversas propostas legislativas em discussão atualmente no Congresso Nacional.

 

Darlen da Silva, de 38 anos, balconista de farmácia no Rio de Janeiro, relata que a folga semanal é insuficiente. Empregada sob regime celetista há 15 anos, ela descreve a dificuldade de conciliar o único dia livre com as responsabilidades de mãe e dona de casa.

 

“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”


 

Para Darlen, lidar com apenas um dia de descanso semanal é um desafio enfrentado por todos os trabalhadores, especialmente por mulheres com filhos e múltiplas atribuições domésticas. De acordo com ela, a possibilidade de redução da jornada já é tema constante entre os colegas de trabalho.

 

Se a nova regulamentação for aprovada, Darlen já planeja dividir os dias de folga entre as tarefas da casa e o lazer, algo que hoje considera inviável.

 

“Eu ia tirar um dia para mim, para poder resolver tudo, né? O que tem que fazer de casa. E o outro eu ia tentar descansar, fazer alguma coisa, um passeio, porque a gente não tem tempo. Você tem que optar, ou você larga tudo de lado e vai tentar viver a vida ou você cuida.”


 

Ela também manifesta preocupação quanto à efetividade da legislação, caso seja aprovada, e defende o respeito ao teto de 40 horas semanais. Darlen relata que conhece trabalhadores que já conseguiram dois dias de folga, mas, em contrapartida, tiveram aumento da carga horária diária.

 

Segundo ela, a mudança não compensou pois os colegas passaram a trabalhar 11 horas por dia, cinco dias na semana, aumentando o cansaço acumulado.

 

Impacto do descanso ampliado na vida familiar

 

O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, que atua há uma década no setor de restaurantes do Rio de Janeiro sob a escala 6x1, relata que as folgas são consumidas por obrigações pessoais e familiares, como cuidar de compromissos escolares dos filhos e consultas médicas.

 

Ele acredita que, com um dia adicional de descanso, seria possível organizar as tarefas domésticas e, no outro dia, dedicar-se a momentos de lazer ou até planejar viagens curtas.

 

“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”


 

Em São Luís, Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, afirma que, embora o tema não seja recorrente em seu ambiente de trabalho, é favorável à mudança para dois dias de folga, considerando que essa medida contribuiria para estudos, saúde, lazer e cultura.

 

“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”


 

Izabelle acredita que um dia a mais livre traria benefícios significativos para as dinâmicas familiares e para o convívio em casa.

 

Já a professora Karine Fernandes, de 36 anos, acompanha as discussões sobre a jornada de trabalho pelas redes sociais e, mesmo não sendo submetida à escala 6x1, defende a redução da jornada para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

 

“Acredito ser uma discussão importante, que afeta significativamente a qualidade de vida de muitos trabalhadores.”


 

Karine ressalta ainda a influência que o tempo livre dos pais pode exercer sobre o desenvolvimento de crianças e no fortalecimento dos vínculos familiares.

 

“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”


 

Propostas para mudança na jornada de trabalho

 

A revogação da escala 6x1 integra os planos do governo federal no âmbito trabalhista e encontra-se em tramitação no Congresso Nacional, com expectativa de avanços nas próximas semanas.

 

Entre as propostas em análise está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que sugere a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com implementação gradual ao longo de dez anos. Outra sugestão, apensada à anterior, é a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe uma jornada de quatro dias de trabalho por semana, limitada a 36 horas.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também enviou ao Congresso um projeto de lei com pedido de urgência constitucional para extinguir a escala 6x1 e fixar a jornada máxima em 40 horas semanais. Com esse regime de urgência, o texto precisa ser apreciado em até 45 dias, sob pena de trancar a pauta do plenário da Câmara dos Deputados.

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