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Dólar registra menor cotação em dois anos e real lidera ganhos em 2024

Moeda americana fecha abril abaixo de cinco reais e Ibovespa se recupera com fluxo estrangeiro e juros altos.

01/05/2026 às 20:39
Por: Redação

O encerramento de abril foi marcado por forte otimismo no mercado financeiro brasileiro, consequência de movimentos externos favoráveis combinados ao posicionamento assertivo do Comitê de Política Monetária (Copom). Esse contexto levou o dólar a apresentar queda expressiva e fechar no menor valor observado em mais de dois anos.

 

Ao longo da sessão de quinta-feira, investidores demonstraram maior disposição ao risco, impulsionando as bolsas após uma sequência de seis quedas consecutivas. Esse apetite global, que beneficiou especialmente economias emergentes como a brasileira, resultou em significativa entrada de capital estrangeiro. A movimentação foi caracterizada por vendas de dólares e realocação dos recursos em ativos nacionais, especialmente ações.

 

O dólar comercial encerrou o dia cotado a 4,952 reais, queda de 0,049 real (ou 0,99%). Trata-se do menor patamar registrado desde 7 de março de 2024. Durante o mês de abril, a divisa dos Estados Unidos acumulou desvalorização de 4,38% frente à moeda brasileira. Considerando o desempenho no ano, a queda chega a 9,77%, colocando o real entre as moedas de melhor performance globalmente no período.

 

A recente desvalorização do dólar é reflexo, em grande parte, da perda de força da moeda em escala internacional, observada em múltiplos mercados, além da reorientação de investimentos internacionais para países que mantêm juros elevados.

 

No cenário nacional, mesmo após o início de um ciclo de redução dos juros, a taxa básica ainda permanece elevada. Em decisão divulgada na quarta-feira (29), o Banco Central baixou a Selic para 14,50% ao ano, mantendo, porém, postura cautelosa diante dos riscos inflacionários ao sinalizar moderação nos próximos passos da política monetária.

 

Já nos Estados Unidos, o Federal Reserve decidiu manter a taxa básica dentro do intervalo entre 3,50% e 3,75%, o que aumentou o diferencial de juros entre Brasil e EUA. Esse fator contribui significativamente para a atratividade dos ativos brasileiros, uma vez que rentabiliza o investimento estrangeiro realizado no país.

 

Além do dólar, o euro comercial também registrou forte recuo, encerrando o dia negociado a 5,811 reais, com baixa de 0,48%. A moeda europeia atingiu o menor nível desde 24 de junho de 2024.

 

Mercado acionário reage após quedas consecutivas

Após registrar perdas em seis sessões seguidas, a bolsa brasileira teve desempenho positivo no último pregão de abril. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou o dia aos 187.318 pontos, com alta de 1,39%.

 

Esse resultado foi impulsionado tanto pelo ingresso de recursos estrangeiros quanto pela revisão das perspectivas para a condução da política monetária. O sinal de cortes mais graduais na taxa Selic contribuiu para uma percepção ampliada de estabilidade econômica, o que tende a favorecer o ambiente das ações.

 

Apesar da recuperação desta quinta-feira, o índice encerrou o mês praticamente estável, já que as perdas recentes reduziram parte dos ganhos anteriormente acumulados.

 

No ambiente interno, investidores acompanharam atentamente divulgações de dados econômicos e desdobramentos políticos, embora esses fatores tenham demonstrado impacto limitado sobre os preços dos ativos. Entre os indicadores analisados, informações do mercado de trabalho evidenciaram resiliência da economia, reforçando a avaliação de que há limitações para cortes mais agressivos nos juros no curto prazo.

 

Influência das cotações do petróleo e cenário internacional

Os preços do petróleo mantiveram-se como elemento central na dinâmica dos mercados globais. A commodity apresentou volatilidade pronunciada, influenciada por tensões geopolíticas crescentes no Oriente Médio. Durante o pregão, as cotações chegaram a superar os 120 dólares, mas perderam fôlego ao longo do dia.

 

No fechamento, o barril do tipo Brent, parâmetro utilizado pela Petrobras, foi negociado a 110,40 dólares, permanecendo praticamente estável. Já o barril WTI, referência nas transações nos Estados Unidos, encerrou cotado a 105,07 dólares, com retração de 1,69%.

 

Essas oscilações refletem incertezas sobre a oferta global de petróleo, especialmente diante das tensões que envolvem Estados Unidos, Irã e Israel, bem como das restrições observadas no Estreito de Hormuz, rota fundamental para o transporte da commodity. Apesar das quedas pontuais, os preços seguem em níveis elevados, pressionando a inflação mundial e influenciando as decisões das autoridades monetárias em diversos países.

 

Informações adicionais foram fornecidas pela Reuters.

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