Na última sexta-feira, centenas de exemplares pertencentes à Biblioteca Pública Monteiro Lobato, localizada em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, foram descartados pela administração municipal. O descarte, realizado pela prefeitura, resultou na eliminação de grande quantidade de livros da instituição.
O episódio foi amplamente registrado em vídeos, fotos e relatos compartilhados por moradores e frequentadores da biblioteca. Esses registros circularam nas redes sociais ao longo do final de semana, gerando repercussão significativa e levantando questionamentos sobre a decisão do poder público.
Segundo informações divulgadas pela administração municipal, a justificativa para a operação foi o estado de conservação dos livros, que apresentavam mofo e estavam contaminados por fungos. A prefeitura alegou que a eliminação do material era necessária para impedir a possível propagação da contaminação para outros volumes do acervo.
Desde 2020, a Biblioteca Pública Monteiro Lobato encontra-se fechada ao público devido a reformas. Apesar disso, a prefeitura não informou quais títulos ou a quantidade exata de obras descartadas durante a ação de limpeza e descarte realizada na instituição.
Entre as manifestações públicas de descontentamento, destaca-se a do quadrinista Cadu Simões, residente do município. Em publicação na rede social X, ele afirmou que parte de sua coleção pessoal de quadrinhos, doada anteriormente à biblioteca, provavelmente teria sido eliminada junto com os demais livros.
“Mesmo os livros que pudessem estar com fungos, não necessariamente precisavam ser descartados, pois podem ser recuperados com o tratamento adequado. E, se esses livros chegaram a essa condição, foi justamente devido ao descaso tanto de Rogério Lins [ex-prefeito de Osasco] quanto de Gerson Pessoa [atual prefeito da cidade, do Podemos]”, escreveu o artista.
Além disso, a ex-vereadora Juliana Gomes Curvelo também se pronunciou em suas redes sociais, lamentando a iniciativa da prefeitura. Ela destacou que o espaço da biblioteca, ao longo dos anos, sempre proporcionou acesso, experiências e oportunidades para alunos da rede pública de ensino. Em sua análise, o descarte dos livros representa o oposto desse histórico.
“Aqui [na biblioteca], ao longo dos anos, era a garantia de que os estudantes da escola pública também tivessem acesso, vivência e oportunidades. Hoje, o que vemos é o oposto disso tudo: livros sendo descartados, um espaço sendo esvaziado, uma história sendo ignorada”, publicou Juliana em seu perfil do Instagram.
A prefeitura informou ainda que as obras descartadas serão substituídas no futuro, assim que novos exemplares forem adquiridos. A administração municipal afirmou que o acervo da biblioteca está sendo acompanhado e avaliado por profissionais bibliotecários, visando garantir a reposição adequada das perdas.
O órgão municipal declarou que a biblioteca passa por um processo de reestruturação para atender melhor a comunidade local, embora não tenha sido divulgada uma previsão para a reabertura do espaço ao público.